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11 de fev. de 2026

Cadê você, Ron Perlim?



Papo Cultural do Baixo São Francisco Sergipano

Elenilton Farias (Apresentador): Boa noite a todos! Sejam todos bem-vindos a mais um Papo Cultural do Baixo São Francisco Sergipano. Hoje nosso convidado é o companheiro alagoano de Porto Real do Colégio, Alagoas, atualmente mora em Cedro de São João, é sergipano de coração e é professor, escritor e blogueiro. Seja bem-vindo, Ron Perlim, a mais um Papo Cultural do Baixo São Francisco! Hoje eu trago aqui no Papo Cultural o Ron Perlim, que é um professor, escritor e blogueiro e decoração [de coração], mas alagoano. Transita entre Propriá e Cedro de São João. Já já ele vai estar chegando aqui, deixa eu mandar um convite para ele.

(Pausa com música e aplausos)

Elenilton Farias: Cadê você, Ron Perlim? Boa noite a todos! Sejam todos bem-vindos a mais um Papo Cultural! Nosso convidado, Ron Perlim, acabou de chegar agora aqui no nosso Papo Cultural. Eu vou adicionar Ron Perlim para que a gente dê início ao Papo Cultural. Tá aqui, eu vou te adicionar agora, tá, para que a gente dê início ao nosso Papo Cultural.

(Música)

Ron Perlim: Boa noite.

Elenilton Farias: Primeiramente, boa noite a você e a todos que estão entrando agora. Esse é mais um Papo Cultural e hoje aqui no nosso Papo Cultural, que é um projeto voltado aos artistas, artesãos e produtores culturais do Baixo São Francisco Sergipano, eu trago Ron Perlim, que é alagoano de Porto Real do Colégio, mora em Cedro de São João e é professor, escritor e blogueiro. Ron Perlim, antes da gente iniciar o Papo Cultural, a sua imagem; ela tá muito ruim aqui, você tá contra a luz, tá? Sua imagem não tá legal, não, mesmo. Acho que é por conta da lâmpada, se você se encostar na parede eu acho que vai melhorar. Porque como a luz está no centro, se você se encostar na parede ela acaba refletindo sobre o seu rosto.

Ron Perlim: E agora, melhorou? Piorou?

Elenilton Farias: Sim, agora deu uma melhorada. Seria interessante se você pudesse colocar o celular em cima de alguma coisa para deixar ele fixo também, mas se não puder a gente faz assim mesmo. Tá meio, tá meio complicado aqui, não deu pra eu me organizar nesse sentido, tá? Então, boa noite a você e a todos que estão entrando mais uma vez. Esse é o Papo Cultural, que é um projeto voltado aos artistas, artesãos e produtores culturais do Baixo São Francisco e hoje eu trago aqui o Romperly, que não é um sergipano de nascença, mas podemos dizer que é um sergipano de coração e abraçou o nosso estado, a nossa região do Baixo São Francisco. E hoje eu tô trazendo Romperly aqui, eu vou fazer a sua apresentação aqui, tá, pessoal? O Romperly ele é alagoano de Porto Real do Colégio, Alagoas, que é uma cidade que faz divisa com Propriá, tá? Tem [ponte] para Alagoas. Ele é sergipano de coração, atualmente ele mora em Cedro de São João e é professor, escritor e blogueiro. Você queria acrescentar alguma coisa que eu não falei, que você esqueceu da sua apresentação?

Ron Perlim: Por enquanto, Elenilton, essa apresentação está bem concisa e simples, está bem adequada. Certo. Boa noite para você, boa noite a todos que nos acompanham, tá?

Elenilton Farias: Eu vou me apresentar aqui para quem está me vendo através do Instagram. Eu sou o Elenilton Farias, propriaense, estudante de teatro, artista, professor de teatro e criador do Papo Cultural. Foi um projeto que surgiu agora na quarentena, né? Tive a oportunidade de abrir essa janela, de fazer com que os artistas da região do Baixo São Francisco pudessem ser vistos, né? E ver que a nossa região tem bons artistas e que eles precisam ser vistos. Então, o Papo Cultural surge também dessa necessidade de fazer os artistas da região do Baixo São Francisco serem vistos, tá bom? Eu queria que você falasse para a gente... É, porque você é um escritor, né? E é um escritor bem ativo, pelo que eu andei pesquisando, você tá sempre produzindo. Eu queria que você falasse para a gente como foi que surgiu esse anseio, essa vontade de escrever, de criar histórias. Qual foi, qual foi que surgiu isso na sua vida?


O Início da Jornada Literária

Ron Perlim: Na adolescência, quando eu tinha aproximadamente entre 17 e 18 anos, nesse período eu comecei, iniciei nessa idade. E nesse período também já tinha iniciado a leitura. É um período essa iniciação de leitura e de observação das coisas que aconteciam ao meu redor me fez ensaiar os primeiros estudos, cadernos, observando as coisas que iam acontecer.

Elenilton Farias: Tá. E você tem formação como professor, né? Em que área que você tem essa formação? Em Letras?

Ron Perlim: Não, eu sou formado em Matemática, Faculdade de Formação de Professores, UPE, Penedo. E fiz uma pós-graduação em Educação Matemática aqui em Sergipe, na Faculdade Atlântica, se eu não me engano, é isso mesmo. A minha formação acadêmica é essa.

Elenilton Farias: E o que foi que te levou à escolha de Matemática e não Letras, sei lá? É só pergunta curiosa, não é, não.

Ron Perlim: Não posso dizer que... Tenho dificuldade em aprender. E a Matemática também sempre teve um caminho desde a adolescência, quando eu estudava, fazer o Ensino Fundamental para o Ensino Médio, eu sempre me identifiquei muito bem com os números, com essa parte abstrata, com a questão de a Matemática ter nascido da Filosofia e a Filosofia é uma das ciências do conhecimento que adoro bastante.

Elenilton Farias: Tá. E você é de Porto Real do Colégio, né? Mas atualmente mora em Cedro de São João. O que é que leva Ron Perlim para Cedro de São João de Porto Real do Colégio? O que é que traz o escritor, poeta, Ron Perlim habitar a terra sergipana?

Ron Perlim: Foi o amor. O amor fez isso. Eu sou casado com uma garota daqui, também é professora, minha esposa. Então, esse meu casamento me fez vir para Cedro de São João e aqui habito já faz alguns anos. Gosto daqui, sim.

Elenilton Farias: Que ótimo! E como escritor, como poeta, quem são os artistas que de alguma forma eles influenciam, que inspiram e se inspiraram a ser esse escritor que hoje você é?

Ron Perlim: A inspiração, eu sempre digo que a inspiração, com a leitura e a releitura. Então, as minhas releituras... Eu li bastante, bastante clássicos, quando eu iniciei a minha vida literária. Ainda hoje eu leio e leio também contemporâneas, que tem muita gente boa atualmente escrevendo. E uma outra coisa que me traz inspiração é a percepção, é ser capaz de perceber, de perceber e ouvir as coisas animadas e inanimadas. Ele tem que ter essa capacidade. As minhas são baseadas nisso.

Elenilton Farias: Sim. Mas você tem alguns escritores que, de alguma forma, eles te inspiraram ou serviram de... Ou seja, você leu muito esses autores e de alguma forma a linhagem e a forma como eles escrevem acabaram de alguma forma agregando na sua forma de escrever?

Ron Perlim: Você tá apenas... Três ou quatro, tem Cecília Meireles, eu adoro Clarice Lispector, é o máximo, sim. Graciliano Ramos. E deixe-me ver aqui, de Sergipe, contemporâneo. Contemporâneos. E aqui da região, da nossa região, tem Kleberson Santos, não sei se você conhece. A gente fosse citar, vai passar a noite.

Elenilton Farias: E quando foi que você se percebeu artista das letras, artista que cria histórias? Você passou por esse conflito de se perceber artista, de se assim, questionando-se de fato você seria um artista das letras, né? Você passou por esse momento de conflito, de se identificar se isso, ou você nunca, nunca passou por isso, nunca se questionou sobre a sua arte?

Ron Perlim: Não, eu nunca tive esse problema. Eu quando sento para escrever, eu não faço assim muitos questionamentos sobre esse tipo de coisa. Eu apenas sempre escrevo. Eu escrevo porque eu escrevo. Depois vou fazer publicação para ver no que vai dar. Não me preocupo com o questionamento.


As Obras e o Processo Criativo

Elenilton Farias: Você, eu já percebi que você é um escritor que recorre muito às coisas populares, né? Principalmente a cultura popular. Você tem algumas, alguns livros produzidos. Inclusive, eu já cheguei a ler um deles, que foi "Povos das Águas". Em que isso... Em que você traz... Você traz todo aquele contexto lendário das lendas, né, do Rio São Francisco, de uma forma muito lúdica, muito gostosa de se ler. Dentro desse livro, quem não leu até recomendo. Inclusive, quando eu estava lendo, eu vi que aquele livro é uma peça de teatro pronta, ali. É só você pegar e fazer. Porque o próprio livro, ele é uma peça. Eu enxergo o livro como um texto puramente teatral, porque é gostoso de ler, é instigante. Quanto mais você lê, você quer ler para tentar entender aonde aquilo vai dar, o que é que aquilo quer me dizer. Eu queria que você falasse para a gente desse livro, como é que surge a, como é que nasce o livro "Povos das Águas"?

Ron Perlim: A inspiração ela surge de duas formas. Vamos primeiro falar sobre a inspiração, porque só assim a gente vai compreender com maior plenitude essa coisa para mim, né, no meu caso. A inspiração da percepção que é, vamos supor, você está observando alguma coisa ou lendo e percebe que aquilo ali você pode produzir um texto. No caso do "Povo das Águas", o que aconteceu? Aconteceu que eu fiz uma releitura das muitas releituras que eu já havia feito sobre as lendas que povoavam o São Francisco, especificamente as lendas que chamaram [atenção] na minha adolescência. Então, ela me veio... Eu não perdi tempo, sentei a bunda na cadeira e comecei a escrever feito um cavalo selvagem. Escrevi, escrevi, escrevi, dei uma paradinha, continuei escrevendo até terminar o livro. Depois do livro terminado, aí eu fui ver o capítulo, fazer pesquisas para ir adequando o livro para que houvesse determinados erros. Porque existem informações que a gente precisa buscar. Dessa forma. Um conflito ainda está se arrastando no nosso rio.

Elenilton Farias: Que massa! Quem tá nos assistindo aqui, quem tiver, quem tiver interesse em ler o livro, o livro "Povos das Águas", como é que a pessoa faz para adquirir esse livro? A pessoa tem que ir no site da editora Penalux, lá ele está à venda desde o lançamento, desde 2017 que ele foi lançado, está à venda lá desde esse ano.

Ron Perlim: Nunca saiu, nunca saiu, né?

Elenilton Farias: Você também tem... Só um instante que eu tô vendo aqui alguns livros seus que eu selecionei, tá? Você tem também o "Poeta Mais Velho do Mundo", esse livro também é seu? O "Poeta Mais Velho do Mundo"?

Ron Perlim: Sim. Não, não, não.

Elenilton Farias: É que eu tô vendo aqui no Instagram algumas fotos de livros com você e aí... Mas vamos, eu queria que você falasse quais são os livros que você tem escrito. Eu sei do "Povo das Águas", tem também...

Ron Perlim: "Colégio Sociedade". Em uma atividade pura, ela me presenteou uma coletânea de alguns textos meus. Eu também tenho "Só Um Olhar". Deixe-me ver mais.

Elenilton Farias: Esse daqui, "Um Batina, Um Batina na Memória de um Menino Propriense", esse também é seu?

Ron Perlim: Não, esse livro vai ser lançado no próximo ano e é do Professor Alberto Amorim e você conhece. É uma preparação do texto em conjunto com ele. É um livro bacana, ficou bem legal.

Elenilton Farias: Pode concluir que depois eu falo com você.

Ron Perlim: Certamente será um prazer você indo para o lançamento do livro do Professor Amorim, Alberto Amorim.

Elenilton Farias: A Fernanda Lima está perguntando aqui: "Como, você tem alguma indicação de escritor alagoano?"

Ron Perlim: Sim, tenho, tenho, tenho Graciliano. Tem Salgado Albuquerque, que é recente, né? Alagoano contemporâneo. Tem Jorge de Lima. Infelizmente não tem [outro] do Ivo, não estou me recordando.

Elenilton Farias: Romperly, ao total quantos livros você tem? Mais ou menos assim, você tem noção para falar para a gente? Tá aqui agora, já, já catalogou?

Ron Perlim: Acho que é isso. Eu não, eu costumo até ter essa falha quando tô dando entrevista, não saber a quantidade exata dos livros. Mas os livros que eu citei são esses mesmos.


Temáticas e Blog

Elenilton Farias: O que é que os seus livros, você escreve mais do que, na verdade, você é aquele escritor eclético que escreve de tudo ou você, porque tem o escritor que ele escreve de tudo, mas esse tudo existe uma linhagem que ele não... Ele não sai daquela linhagem, só que ele fala de outras coisas e você percebe que é característica daquele autor. Então, eu queria saber você escreve mais do que, o que é o que é que as suas obras, embora fale de coisas variadas, o que é que na verdade ela tem de incomum?

Ron Perlim: Tem a ironia e tem a crítica social. Eu acabei esquecendo e agora me veio também o livro chamado "O Homem Retrato". Resumindo, esse livro ele faz um resumo do comércio eleitoral na região do Baixo São Francisco e no país inteiro. E infelizmente esse comportamento político tem aberto [espaço] para espécies de representantes. Quanto à minha temática, é uma temática, como você falou, ela é eclética. Eu não me preocupo, nunca tive essa preocupação. É aquilo que me chama atenção e que [eu possa] compreender, perceber e colocar para fora. Um exemplo, quando você pega o livro "Urbana", você vai encontrar uma variedade de textos de prosa poética onde é abordado vários assuntos no livro. Você vai ver a violência, e por aí vai. É variada a temática.

Elenilton Farias: Massa! Romperly, você também é blogueiro, né? Você além de produzir obras físicas, né, livros, você também tem um blog. Eu tô aqui com o seu blog aberto, porém eu tô com o celular em frente da tela e aí eu não consigo ver quase nada. Mas o que, qual é a finalidade desse seu blog? Você disponibiliza livros digitais lá? Você coloca resenhas? Qual é a finalidade desse blog que você tem?

Ron Perlim: A finalidade do meu blog, ele é de divulgar o meu trabalho. Pouco eu produzo, eu coloco lá nesse blog. Eu agora tô com uma página nova chamada "Página de Textos" e é um teste de textos, muitos que já foram publicados em livros e não publicados. Tem três livros, onde eu, três textos que o próprio Romperly [escreveu] e tem um depoimento da professora Rose Nunes. Ela fala sobre o livro "O Povo das Águas" e o impacto que a leitura desse livro causou nos alunos dela. Eu também com uma, com uma sessão nova chamada "O Autor Fala da Sua Obra", onde os autores, eu faço um produto pelo WhatsApp e entrevistas com [obras] publicadas no meu blog. Tão jovem, são dicas para quem inicia no mundo literário. É de assunto muito grande.

Elenilton Farias: Entendi. Eu tô vendo aqui, você por ser de Alagoas, com certeza você deve ter tido algum contato com a aldeia dos Cariri-Xocós que tem lá. Eu queria saber, a Aldeia Cariri já tentou de alguma forma, e você produziu algum material ou algum livro, algo falando desse povo, da existência, da existência desse povo?

Ron Perlim: Sim, eu tenho contato com duas pessoas importantes da Aldeia de [Cariri-]Xocó. Uma delas é Roberto Cruz. E publicou o [livro] chamado "A Mãe D'Água", junto com uma grande Editora chamada Laura Bacelar, um livro muito bom, bacana. Tem também o nome indígena de José Nunes e é considerado como uma memória viva da aldeia. Então, mantenho um contato com eles. Textos no meu blog chamado "Urubu Mirim", que é um blog especificamente sobre o povo, é do Colégio. Aí lá com algum texto. Agora o Hugo e eu também fala alguma coisa. Eu sempre mantendo contato com eles, aprendendo mais sobre a cultura, que é bem interessante e é bem legal mesmo manter contato com o pessoal de lá.


"A Menina das Queimadas" e o Mercado Literário

Elenilton Farias: Agora eu queria que você falasse para a gente um pouco do livro "A Menina das Queimadas". A capa é bem, ela já instiga a gente a querer ler. Você poderia dar um resumo para a gente? Eu quero, o que é que esse livro traz? O que é que a gente pode esperar de "A Menina das Queimadas"?

Ron Perlim: "A Menina das Queimadas" me faz lembrar uma pessoa muito especial, que é a minha pedreira [sogra] já falecida. A gente, eu de um lado e ela do outro e a gente começa a tapear e ela começou a me contar coisas da sua adolescência. Nessas conversas, eu percebi a importância daquilo tudo que ela me falava e eu disse para mim [mesmo], escrever no livro "A Menina das Queimadas" em homenagem a ela. Só que as suas memórias dizendo a literatura disse que é um livro muito bacana, as pessoas gostam. Esse livro ele foi adotado numa escola em Porto Real do Colégio, é chamada Terezinha. Anda pelo mundo aí, muita gente já leu e disse: "É bacana a história." A menina fala de uma menina [que vivia na] ignorância da época. Tempo tem como pedir isso, mas a menina das queimadas ela insistiu e procurou outras maneiras e foi a escola. Agora o que quer dizer "a menina das queimadas"? Eram doces e ele [o doce] fica um pouco tostada. A minha sogra ela vendia essas queimadas. Ela conseguiu sair daquele estágio de vendedora de balas, das queimadas, de cuidar dos irmãos mais novos. Se resume nisso, é bem instigante, dá vontade de ler.

Elenilton Farias: Me diz uma coisa, os seus livros você só consegue vender ele físico ou você também vende em e-book?

Ron Perlim: Eu tô trabalhando com essa parte do e-book. Eu tô vendo aí com uma editora bem, bem legal chamada E-galáxia. Estou lá com o pessoal para os [livros] estejam em breve no formato e-book. Assim que ele quiser, vou divulgar o máximo que eu puder no Face, no Instagram, quando for possível.

Elenilton Farias: Para você, quando puder, dá uma divulgada aí. Sim. Romperly, fala para a gente o que é que representa essa arte de escrever para você. O que é que representa isso para sua vida? O quanto é importante para sua vida?

Ron Perlim: Escrever para mim é parte de mim. E essa parte se for tirada, eu tomo sem mim duas coisas que eu não posso ficar: até a delícia é ficar sem luz e ficar [sem escrever]. Se essa coisa [acontecer], eu sou menos de mim, um pouco de mim.

Elenilton Farias: É como, é como é que, como é que você enquanto escritor, enquanto pessoa que produz livros, né, produtos artísticos de consumo, como é que você consegue falar para a gente, como é que você enxerga na verdade o mercado de venda de livros aqui em Sergipe? Você acha que é bom, é ruim, tá melhorando? Como é que você, você consegue falar isso para a gente? Esse termômetro, já que você é um escritor que produz para venda, tá? E que é bem conceituado, como é que você consegue falar para ele ter esse mercado aqui de livro? Porque a venda de livros, ele também ele acaba nos informando o quão ou os sergipanos estão lendo ou o povo brasileiro nordestino. Então, eu queria que você falasse pra gente esse mercado de livro, como é que você consegue avaliar a compra de livro aqui em Sergipe?

Ron Perlim: Para mim é uma, é um comércio estável. Ele não tem crescido, tem esse caso em uma situação, um estado [que se tornou um] problema do livro, da compra de livro e das vendas de livros no Brasil. Tem duas, não, não seja sem compreensível. Tem pessoas que acham que por conhecer o escritor, não é assim. Tão compreender pessoal [que prefere] valorizar. E também tem outro detalhe, isso aí vai uma crítica para [quem] escrever qualquer coisa, que não é assim. Escrever alguma coisa. Então, tá bom. Um caminho, é um caminho. E a outra questão do OK, ela também está relacionado com a questão, e também com, tem que ser divulgado.


Feiras Literárias, Aulas e Cenário Cultural Local

Elenilton Farias: Como você é um escritor que participa muito de feiras, seja participou de feiras aqui em Sergipe, queria que você falasse para a gente um pouco dessa experiência de participar de feiras literárias.

Ron Perlim: Pode, Elenilton. A experiência é muito boa, muito bacana mesmo. Não deixa de não trazer. O meu filho tá aqui, viu?

Elenilton Farias: Você é professor de Matemática. Você ainda é um professor que leciona?

Ron Perlim: Não, eu faço na parte de informática.

Elenilton Farias: Mas você já chegou a lecionar Matemática?

Ron Perlim: Sim, sim.

Elenilton Farias: Na sua zona de Matemática, você enquanto um escritor, o que, o que era que você levava para as aulas de Matemática de literatura? Para a sua forma de ensino, você, você trazia, levava um pouco dessa sua arte de escrever para dentro da Matemática? Caso a gente acha que as coisas estão tudo separadas, mas estão todas intrínsecas, né? Uma dentro da outra. É, a Matemática a gente pode trabalhar lá de história, com teatro, a gente pode trabalhar Matemática com música, faz a paródia. Então, [a] arte ela está inclusa em todas, em todas as disciplinas e se parar para pensar todas as disciplinas de alguma forma estão inclusas em todas as outras. Então, eu queria que você falasse para dentro de você, é o tipo de professor que embora a sua formação em Matemática e quando você selecionava, você levava um pouco dessa sua arte literária para dentro das aulas? Isso fazia parte dos seus planos de aula?

Ron Perlim: Sim, sempre que possível eu traduzia e também falava para a importância. Sempre, sempre.

Elenilton Farias: Que massa! Eu não sei se você conhece o Luiz Davi aí de Cedro de São João. O Luiz Davi é um, é um jovem cordelista aí de Cedro que escreve muito bem, está inclusive já passou aqui pelo Papo Cultural. E aí eu tô trazendo o Luiz Davi, essa mudança assim repentina de assunto para saber como é que você enquanto um artista escritor se relaciona com os outros artistas aí de Cedro de São João? Porque Cedro de São João é uma cidade pequena, mas é um ovo querendo eclodir de artista. Aqui no Papo Cultural, o que eu já trouxe de artista de São João, eu não consegui de nenhuma outra cidade a não ser de Propriá. Então, como é que você enquanto artista escritor, né, se relaciona com os artistas aí de São João? Existe uma, sei lá, uma amizade que de alguma forma um determinado artista acaba contribuindo com o outro?

Ron Perlim: A minha relação... Eu sou muito caseiro, não ando muito por aí. E ele era como se fosse um guardião da história. Inclusive, eu não sei se você viu aí no meu perfil do Instagram, eu tive uma foto com ele, que estou preparando um livro para ele. Eu vou ter uma participação sobre a história daqui, fazer uma recordar. Essa pessoa se chama Antônio Sapateiro.

Elenilton Farias: Romperly, como você é um escritor que transita entre Cedro, Propriá, você está sempre presente em Propriá, Colégio. Agora eu queria que você falasse para a gente como você enquanto cidadão, enquanto escritor, como é que você consegue avaliar, vamos falar do estado de São João, que é a cidade que você mais, mais vive. Como é que você consegue avaliar a atuação da Secretaria ou pasta de Cultura aí da cidade de São João com relação à [fomentação] da cultura, valorização dos artistas locais, pessoas da cultura popular? Como é que você consegue avaliar a atuação dessa pasta que está saindo agora com a cultura local aí da cidade de Cedro?

Ron Perlim: Eu desconheço qualquer atuação. A única coisa que existe aqui em Cedro de São João é uma Casa da Cultura que foi construída e não há nenhum, do meu conhecimento. Não vejo, não vejo investimento nessa área.

Elenilton Farias: E é uma cidade que, se for parar para pensar, é Cedro é pequena, mas tem muita coisa. Tem a grande tradicional festa do Sol, que atualmente não acontece mais, não é? E eu já trouxe vários cedrenses aqui, eles acabaram, todos eles acabaram relatando sobre essa festa, né? O fim dessa festa, o quanto foi desolador e perceber que quem acaba com a pressão de gestores, não é gente? Total frio, a festa tal, que entra no parque porque a festa era de tal gestor. E aí para quem acaba perdendo é o povo com essa politicagem que existe.


Indicações, Perspectivas e Conselhos

Elenilton Farias: Romperly, nosso Papo Cultural tá chegando ao fim, a cidade [hora] de se despedir. Eu queria saber, você tem alguma coisa para falar, é que você esperava que eu iria perguntar e eu não perguntei? O que você gostaria de acrescentar?

Ron Perlim: As suas colocações foram. Eu queria acrescentar que pela memória, eu sou o presidente do Centro de Cultura. Várias novas gerações. É possível.

Elenilton Farias: Então, gente, antes de encerrar, eu queria convidar a todos que passaram por aqui, que vão passar e que vão assistir esse vídeo para seguirem o perfil do Papo Cultural no Instagram. E em breve essas lives vão estar acontecendo lá, todas as lives. Inclusive essa que já aconteceram, que tá acontecendo agora, elas vão passar por edição, irão para esse, para esse perfil, tá? E não para o canal do YouTube também, que no, e no Facebook, tá? Então, eu convido a todos vocês para seguirem o perfil do Papo Cultural, que em breve o Papo ela vai ficar acontecendo nesse perfil, tá? Muito obrigado pela sua disponibilidade. Foi, foi um convite repentino que eu acabei fazendo só para não encerrar o ano sem, sem o Papo Cultural, o último Papo Cultural do ano, tá? Então, eu agradeço a você pela sua disponibilidade, pela sua colaboração de alguma forma com esse projeto também, tá? Muito obrigado e obrigado a todos que passaram por aqui, que vão assistir, tá? E isso passa a palavra para que você faça suas considerações finais.

Ron Perlim: Eu agradeço por essa oportunidade de estar com você, com as pessoas que entraram. Sempre que for possível e que o Papo Cultural estiver disponível, eu também vou deixar o livro. Nós batemos papos e falarmos mais da importância dos livros, da literatura.

Elenilton Farias: Tá. Muito obrigado, foi um prazer receber você aqui. Obrigado a todos que passaram por aqui. Lembrando que a live vai ficar salva, quem não assistiu por algum motivo quiser assistir, vai ficar salva aqui no meu perfil, tá? Muito obrigado mais uma vez e a todos que passaram aqui pelo último Papo Cultural de 2020, tá? Voltamos no final de janeiro. Muito obrigado e até breve!

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26 de jan. de 2026

Ron Perlim participa do IV Intercâmbio Cultural Barbalha/CE e Propriá/SE.

Ron Perlim
O escritor, presidente do @ccpria.se e Coordenador da Flipriá (Festa Literária de Propriá) participou da mesa do IV Intercâmbio Cultural Barbalha/CE e Propriá/SE no auditório da Codevasf, dia 24 de janeiro de 2026 com. 

Em sua fala, agradeceu ao convite recebido do Coordenador, o professor Alberto Amorim e enalteceu a importância daquele momento. Depois que os demais componentes proferiram as suas opiniões, a palavra foi franqueada para o professor Dr. Jozier Ferreira.


O professor Jozier contextualizou como se deu os primeiros contatos com Alberto Amorim, à época presidente do CCP, o poeta Rossi Mágne e o acadêmico Erasmo Lopes sobre as pequisas realizadas sobre a região do Baixo São Francisco e como elas o levou até Propriá.

Em seguida, expôs a História de forma clara e simples do processo de migração de cidadãos propriaenses até às paragens que deram origem à cidade de Barbalha.

Mostrou, também, que o nome do padroeiro Santo Antônio, homenagem de Luiz Gonzaga e outros fatos não eram pura coincidência, mas evidências que contam e integram a História entre as duas cidades.

Estiveram presentes Franklin Ribeiro Magalhães, Presidente da Aplcad e Tesoureiro do CCP, Helenice Reis, presidente da ALVP, Irinéia Borges e outras membras dessa academia, o ex-prefeito Iokanaã Santana, os poetas Cleno e Ruan, membros do CCP e da Aplcad, Jorge, da União Beneficente, pe. Klebson, o bisbo de Propriá e demais convidados, além da comissão de Barbalha.



O intercâmbio foi encerrado pelo Bispo Dom George Muniz, demonstrando interesse pelo evento e a importância que tem para Propriá.

A esquerda, Alberto amorim. Na sequência Dom George Muniz, 

Ron Perlim e Helenice Reis


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6 de nov. de 2025

III Festa Literária de Propriá, Sergipe.

A Festa Literária de Propriá foi realizada no dia 29 de novembro de 2024. Coordenada pelo escritor Ron Perlim e Realizada pelo Centro de Cultura de Propriá (CCP), SE teve como tema: Literatura, apagamento e invisibilidade no Baixo São Francisco, sendo homenageado o Prof. Mário Roberto, que foi membro e um dos cofundadores do CCP.

O Objetivo do evento é valorizar, divulgar os escritores do Baixo São Francisco que tem como cidade polo Propriá e as cidades circunvizinhas do estado de Alagoas para que as pessoas compreendam a importância da leitura. A programação é bastante diversificada, contendo atividades de formação na área do livro leitura para os alunados do Ensino Fundamental e Médio, professores e demais interessados.

Nesta edição, contou com a seguinte programação:





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12 de ago. de 2025

RESENHA DO LIVRO “ESTOU FARTO DO LIRISMO COMEDIDO”, DE RUAN VIEIRA


 Por: Matheus Kennedy

Ruan Vieira é um exímio bailarino das palavras. A poesia, sua sapatilha, lhe calça muito bem. “Estou farto do lirismo comedido”, publicado pela Mondru Editora, é um grito de basta à poesia que se preocupa mais com a forma do que com o conteúdo; à poesia que prioriza mais a métrica e a estética do que o sentimento. Reunindo diversos poemas, alguns deles, por meio da intertextualidade, dialogando com textos de autores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa e Paulo Leminski, Ruan vai traçando um caminho poético que capta, com sensibilidade e habilidade, a poesia presente no mundo, no dia a dia, em cada momento experimentado.

O primeiro texto que inaugura o livro, intitulado “Poesia de Cada Dia” , é uma espécie de “testamento” do que a obra do jovem poeta sergipano propõe. Ruan defende a ideia de que a poesia, mais que uma arte, é um sentimento humano e, portanto, está presente em todos os ambientes e todas as pessoas são capazes de poetizar as suas vidas, quebrando a lógica da poesia como um exercício essencialmente acadêmico ou especializado. É nesse ínterim, que ele exalta a poesia livre das amarras da gramática e das regras que tornariam, aos moldes parnasianos, um poema belo e perfeito. “Fique com a Sintaxe da Gramática e me deixe com a Semântica da Poesia”, asseverou.

Os poemas-paródias de Ruan são resultados de uma genialidade única. “No meio do caminho, um passarinho”, recuperando a máxima drummondiana, é um hino à liberdade (daí o passarinho), que a pedra de Drummond impossibilitaria. “Oração ao vento”, paródia da música “Oração ao tempo”, de Caetano Veloso, é um dos meus prediletos. Cantando ao vento, o poeta chama um amigo, pedindo sua suave ou intempestiva presença em sua vida e no movimento dos destinos. Li cantando.

Utilizando recursos como metáforas, ironias e versos livres, sob fortes influências literárias e musicais, nasce uma poesia que aborda questões existenciais, tais como a infância em “Aurora da minha vida”, a presença e importância da figura materna em “Minha mãe é uma semideusa”, a existência divina, à la Nietzsche, em “Paradoxo do divino”, a traição em “O beijo de Judas” e o patriotismo genuíno em “Canto a minha terra”.

Mas a poesia de Ruan não termina por aí. Há também alguns poemas com forte teor erótico, alguns mais explícitos que outros, como em “Sem nem sequer saber de poesia”, onde o eu lírico afirma que conhece (“viajou”) o corpo da amada, evidenciando que o ato sexual, ou melhor, transar, também é uma forma de se fazer poesia, a arte de cantar/fazer o amor.

São muitos os poemas que compõem a obra do jovem poeta sergipano e este texto não daria conta de destrinchar cada um deles. Selecionei aqueles que me tocaram mais fortemente. E encerro com o poema-paródia “Tecendo o texto”, uma canção do fazer poético, que reflete a clareza de Ruan, volto a dizer, como um bailarino das palavras, que sabe conduzir e construir, palavra por palavra, verso por verso, significados, sentimentos, verdades inauditas. “Uma palavra sozinha não tece um texto: ela precisará sempre de outras palavras”.

Precisaremos sempre, mais e mais, da poesia de Ruan, que só ele sabe tecer.

Nota biográfica: 

Matheus Kennedy é Graduado em Letras-Português pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Foi pesquisador-bolsista pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC - Fapesq/UEPB) durante 2021 a 2023. Mestrando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (PPGFP/UEPB). 

Em 2020, foi um dos fundadores do Debate na Mesa, permanecendo até hoje na equipe.


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24 de jul. de 2025

CUIDADO COM A REGÊNCIA DO VERBO

A professora de português vivia dando nota baixa nas redações que aluna escrevia. O pai, um escritor consagrado, resolve dar uma ajudinha à filha para evitar que ela repita o ano. 

Segue crônica de Carlos Heitor Cony, publicada no longínquo 30 de outubro de 1998 no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo.

O PÔR-DO-SOL DA FREIRA

O Premiado no Brasil e no estrangeiro, coberto de glórias literárias e sociais, ele chegou à sua casa e encontrou a filha em prantos. Dizia-se desgraçada, queria se matar. Contou o seu drama: estava ameaçada de levar bomba em português. Autora das piores redações de todo o ano letivo, a madre-professora dera a chance: ou fazia uma composição decente que redimisse os erros acumulados durante o ano, ou ficava sem média para os exames. E ela - que brilhara em matemática, que ganhara o prêmio de viagem a Mataripe pela melhor nota em geografia, que era autoridade em Renascença e em Guerras Púnicas - sentiu o gosto da bomba a caminho.

“Uma humilhação!”, berrou o pai no meio da sala. Um homem traduzido em copta, em servo-croata, editado pelo MacMillan, amigo do García Márquez e do Saramago, patrono de escolas, nome de biblioteca no Recife, ter uma filha ameaçada de bomba em redação! Uma vergonha! A filha enxugou as lágrimas. Ferido no orgulho, o pai quebraria o galho. E, para começar, quase quebrou a sopeira que vinha da cozinha. “Suspendam o jantar! Vou fazer uma redação para minha filha! Quero ver o que essa freira de...” A filha gritou: “Papai!”. Mas ele estava possesso: “Quero ver o que essa freira de merda vai dizer da minha composição!”. Quando o pai atingia o palavrão, é que o negócio estava preto mesmo. E tão preto estava que todo mundo começou a pisar na ponta dos pés, em respeito à concentração do chefe da casa que se trancara no gabinete. Fera enjaulada, ele procurou se acalmar. No fundo da estante mantinha um pequeno bar. Desde que o médico o proibira de beber, ele levara para o sacrário da casa algumas bebidas, lá imperava sem dar satisfações a ninguém, principalmente à mulher, que o controlava com ferocidade.

Foi lá, escolheu o melhor uísque, que reservava para os grandes momentos, quando precisava enfrentar formidáveis desafios. Tomou uma talagada generosa e logo outra para consolidar. Limpou com energia a mesa, varejou papéis velhos, abriu o computador. Mas reconsiderou. Não, nada com o computador, muito frio e profissional. Foi nos guardados e apanhou a caneta de estimação, uma velha Parker rombuda, a mesma com que escrevera seu maior êxito de venda e crítica. Aquela pena fora elogiada por William Faulkner e por John dos Passos. Só então descobriu que não sabia sobre o que deveria escrever. Abriu a porta e berrou para a sala: “Qual é o tema?”.

“Pôr-do-sol, papai.” Antes de fechar a porta, descobriu que tinha mais um excelente motivo para esculhambar com a madre. Ora essa, o mundo mudara, o Muro de Berlim caíra, estávamos às portas do novo milênio, e vinha uma freira anacrônica impor à juventude dos anos 90 um tema daqueles, de tempos parnasianos e ultrapassados! Mesmo assim, não teve alternativa. Separou duas laudas do melhor papel de seu estoque, começou a primeira frase, mas estancou: na parte superior da lauda estava o seu nome, com o monograma da Academia de Letras a que pertencia. Procurou pelas gavetas, não encontrou outro tipo de papel, teve de gritar mais uma vez pela filha, que lhe passou um papel almaço pautado. Havia séculos não escrevia num troço daqueles. Alisou-o com alguma raiva, mas teve vontade de cheirá-lo. Sim, cheirava ainda como os papéis almaços de antigamente. Tudo aquilo lhe pareceu de bom agouro. Tacou um pôr-do-sol caprichadíssimo, pleno de tintas sangrentas no horizonte, pássaros fatigados que se recolhiam antes que as trevas chegassem. Esparramou suspiros de lagos plácidos que anoiteciam. Lembrou-se de todos os pores-do-sol que vira em velhas folhinhas de armazém, ressuscitou deslumbramentos de sua infância, inventou uma pradaria, depois uma charneca, ficou em dúvida: não sabia a diferença entre uma pradaria e uma charneca, na verdade, nem sabia ao certo o que era uma charneca.

Vencendo com destemor estas e outras dificuldades, em menos de meia hora as 30 linhas estavam cumpridas. Releu em voz alta para si mesmo, foi severo na revisão, substituiu um “profundamente” por um “essencialmente”, alterou a regência de um verbo e deu por limpa e acabada a prova. Chamou a filha: “Copie com sua letra agora! Vai ser barbada!”.

Os eventos da noite trouxeram esquecimento e paz sobre o assunto. Jantaram, viram um filme no novo canal da TV a cabo, a filha mais velha, recém-casada, apareceu na visita de todas as noites, finalmente foram dormir. O homem acordou ao meio-dia, com outro bode armado na sala de baixo. Sob as cobertas, distinguia o choro da filha e as vozes abafadas que a consolavam. Desceu de pijama mesmo. “O que está havendo nesta casa?”A filha correu para ele, os braços abertos: “Papai, a freira deu bomba no senhor! Quatro!”. E o pai, traduzido em servo-croata, editado pelo MacMillan, amigo do García Márquez e do Saramago, deu um uivo. Rolou pela escada, espumando contra a freira e contra o pôr-do-sol.


Texto extraido do blog do professor Ernani Terra, doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP, transferido por Cleno Vieira.

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9 de abr. de 2025

O livro e a importância do vendedor

Transcrição do bate-papo entre o escritor Ron Perlim e o ex-secretário de Cultura, Juventude e Esportes de Propriá, Sergipe, Renison Félix. O bate-papo aconteceu na secretaria em março de 2021 e teve como tema: O livro e a importância do vendedor.

Principais Tópicos:

  • Importância do vendedor de livros: Discute-se o papel do vendedor, tanto o tradicional que oferece livros de porta em porta quanto o autor independente que vende suas próprias obras. É ressaltada a necessidade de desenvolver o hábito da leitura na população.
  • Desafios na venda de livros: Aborda-se a dificuldade de vender livros no Brasil, não apenas didáticos, mas também autorais, devido à "incompreensão" da população sobre o valor do livro como investimento. A influência das novas tecnologias em tirar o foco da leitura também é mencionada.
  • Obras do escritor Ronaldo Pereira de Lima (Ron Perlim): São apresentados seus livros, como "As Margens do Rio Rei", "Agonia Urbana", "Porto Real do Colégio: Sociedade e Cultura", "Laura", "A Menina das Queimadas", "Viu o Homem", "Foi Só um Olhar", "O Povo das Águas" e "Porto Real do Colégio: História e Geografia". Algumas obras foram premiadas ou adotadas por escolas.
  • Dia do Bibliotecário: É mencionada a importância do bibliotecário como orientador no universo literário, facilitando o acesso ao conhecimento.
  • Importância da biblioteca pública: Debate-se o papel crucial da biblioteca pública no município, especialmente em contraposição à ideia de que o celular substituiria essa instituição. A biblioteca é vista como um espaço de acesso democrático ao conhecimento, cultura e desenvolvimento social, além de promover a saúde física e emocional através da leitura em formato físico. A situação da biblioteca desmontada em Propriá é mencionada, assim como os esforços para sua reativação.
  • Academias de Letras: Discute-se a ausência de maior participação das academias de letras (como a Academia Propriaense de Letras) junto ao poder público para fomentar a cultura e a literatura. É defendida uma atuação mais ativa dessas instituições na proposição de projetos e no diálogo com as secretarias de cultura e educação.
  • Feira de Livros em Propriá: É levantada a possibilidade de realizar uma feira de livros no município após a pandemia, considerando seu potencial como polo regional. A ideia de uma futura Bienal também é mencionada como um sonho a ser perseguido.
  • Fomento à venda de livros: Questiona-se a falta de incentivo para a venda de livros, inclusive de porta em porta, e o impacto da tecnologia nesse tipo de comércio.
  • Adoção de obras literárias nas escolas: Discute-se a importância de as escolas adotarem obras de autores locais, como ocorreu com o livro "Porto Real do Colégio: História e Geografia" na Escola Santa Terezinha. O processo de adoção em escolas particulares e públicas é brevemente explicado.
  • Contexto das obras de Ronaldo Pereira Lima: O autor explica a origem e o tema de cada um de seus livros, desde a necessidade de uma obra sobre a história de Porto Real do Colégio até crônicas políticas e reflexões sobre a violência.

Resumo: o bate-papo destaca a relevância dos livros, dos profissionais que os disseminam (vendedores e bibliotecários), e das instituições que promovem o acesso à leitura (bibliotecas e academias de letras), com um olhar específico para o cenário cultural e literário de Propriá e das cidades circunvizinhas..

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